Funil às cegas.
Você aplica pra 30 vagas.
4 respondem “agradecemos seu interesse”. 6 nem isso. As outras 20 somem.
Quando o deploy quebra, você tem log. Quando o processo seletivo quebra, você tem silêncio.
Candidatar é um funil: candidatura, resposta, entrevista, proposta. Todo funil tem uma taxa em cada etapa. O seu também tem. A diferença é que você não enxerga nenhuma delas.
Então você chuta. Troca a foto. Reescreve o resumo com ChatGPT. Traduz o currículo pro inglês. Cria um currículo novo pra cada vaga.
E como não existe log, você nunca descobre qual mudança ajudou, qual atrapalhou e qual não fez diferença nenhuma.
É isso que eu chamo de funil às cegas. Você roda o teste mais lento possível e não vê o resultado.
Dois números do nosso diagnóstico, com 3.476 profissionais:
Pouco volume e pouca conversão, ao mesmo tempo. Nesse ritmo, uma entrevista (não uma proposta, uma entrevista) pode levar quase um ano pra aparecer.
E tem três vazamentos no funil antes de o seu currículo chegar numa pessoa:
- O recrutador decide em 6 a 10 segundos olhando o seu CV.
- Antes dele, o ATS filtra por palavra-chave. Sem as palavras da vaga, ninguém lê.
- O LinkedIn não é um currículo online. É um motor de busca. Perfil completo e perfil encontrável são coisas diferentes.
Quando eu sento com alguém, o problema raramente está na experiência. Está antes do currículo: não existe um alvo.
Sem alvo, o currículo diz uma coisa, o LinkedIn diz outra, e na entrevista você improvisa uma terceira.
Você não perde pra um candidato melhor. Você é descartado antes de virar candidato.
Dois jeitos de cair nisso se repetem: criar um currículo diferente pra cada bendita vaga (você atrasa e se frustra rápido) e fazer poucas entrevistas pra aprender com elas.




